O mal que é bem: A Religião
Às vezes procuramos na
religião ( em qualquer que seja) respostas para justificar nossas perdas, frustrações,
desilusões, derrotas, para nos consolar. Porque temos a grande dificuldade de
aceitar os resultados das circunstâncias involuntárias e voluntárias. Mas essa
resposta por mais que seja difícil de aceitar, dentro de nós, no lugar talvez
inacessível de nosso ser, está a resposta. Procuramos na religião o afago para
nossa limitação, pequenez, inconclusão e mesmo assim, culpamos a Deus porque é
o único que nossa mente alcança para esse fim.
Não culpamos a nossa ideia de que não somos Adão e que o pecado dele,
foi dele e não nosso. Não pagamos pelos erros dos outros, pagamos pelas circunstâncias
não serem favoráveis. Tanto as que parecem ser tão naturais para uma culpa
pessoal, quanto as mais complexas e mais aceitáveis. O ser por ser essa eterna
inconclusão, não se contenta de que é senhor de si mesmo. O mesmo estado
caótico, é somente meu. Fui eu que provoquei ( mesmo as que parecem serem
provocadas por outros. O outro é apenas um peão nessa xadrez da nossa
existência pessoal. É o princípio antrópico), é a minha incapacidade, limitação...
Mas como aceitar o que a mente não suporta entender? Corremos então para a
religião, ela acalenta a nossa dor e nos aquietamos. Involuímos em nós mesmos e
sempre iremos correr para ela de braços abertos porque ela sempre terá uma
resposta agradável para nossa labuta. Ai de mim que maqueio a minha dor
consciente com os caprichos da religião! É preciso encarar a si mesmo como
responsável pela nossa existência sem tirar a responsabilidade do Criador,
claro, mas não vou bajular Deus para acalmar as minhas inquietações, pois a
maior criação e benfazejo que Ele fez foi a VIDA e a NARUREZA. Que mais posso
exigir?! Essa mensagem não é um rompimento com o Criador, mas com a limitada posição
de criatura incapaz de agir por si só... é essa religião dos oprimidos que me
oprime e ao mesmo tempo sou compassivo com as demais criaturas que são
manipuladas por essa religião de dementes. Não culpo a bíblia e/ou os
ensinamentos nela contida, mas a direção com que levam esses ensinamentos aos
pobres de espírito. É a religião da conveniência que está acabando com o mundo.
Há respostas para toda as debilidades do ser na religião. Há respostas para
todas as debilidades da formação do caráter, da índole, das atitudes. O caminho
que nos leva a resposta ao invés de nos purificar, enaltecer e enobrecer, nos
aleja. Porque daremos sempre as mesmas respostas para nossa inércia doentia
justificando como disse acima, nossa pequenez.
As lágrimas, as
saudades, a dor, a perda, a derrota e limitação, por que não podem apenas ser
parte de nossa convivência enquanto seres pensantes como a tabula rasa de
Locke? Seria mais difícil aceitar como algo na evolução e aprendizado, então
quando não conseguimos isso, corremos para a religião que enriquece os bolsos
cada vez mais, dos líderes religiosos capitalistas. A religião continua sendo
ao mesmo tempo que um bálsamo para uns – no sentido receptivo – é ópio para
outros – no sentido crítico para os sensatos.
Marzo Deutsch

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