Essa é uma oração inicial do meu livro a ser publicado: AS SETENTA ORAÇÕES DE CAMÕES.
Oração pelo Os Lusíadas
A contemplação da minha face no espelho ó Deus, seria
de terror, se assim
Pelo desastre em que minha vida se formou, se
completasse com esse naufrágio
Levando não só a minha vida e de minha dama, mas
principalmente de minha obra – Os Lusíadas.
O que seria de mim, se por anátema a minha alma, e por
cabal as misérias vividas,
Perdesse meu mundo formado pelas palavras que entoam a
minha terra natal.
O que seria de mim, ó Deus? Eu deveria, bem sei,
agradecer por minha vida, mas
Sabes tu que não tenho minha vida por preciosa, mas
aquilo que emana dela.
Pois só assim eu consigo perceber o valor que ela tem.
Estou exausto, bem sabes.
Meus braços na luta contra as ondas me deixaram com a
ânsia de logo a praia
Chegar para constatar se a cor da pena no papiro tinha
maculado todo o trabalho.
Mas a ti que desvendas os mistérios dos elementos, me
trouxeste em paz.
Lamento pelas perdas, mas Os Lusíadas seria
incomparável.
Ó Deus... [lágrimas] sou-te grato demasiado.
Hei de descansar minhas cãs pois meu corpo padece
deste mal, mas feliz estou
Pois as ondas deste mar não puderam afundar a minha alma
nesta obra
Em que o retrato de minha vida está descrita na forma
poética de meu país.
Amém!
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