sábado, 29 de agosto de 2015

Livro: ENTRE DEUS E O CAOS




ENTRE DEUS E O CAOS



É um livro sobre a lamentação de um jovem vindo da Alemanha que ao chegar no Rio de Janeiro em 2005, o conheci.


São reflexões onde a dor é a tônica. A dor da alma é a mais mortal, mas também é a que molda o comportamento humano - pelo menos esse deveria ser o intento.


ACREDITAR


     Quanto mais somos visto como aqueles que mal usam o nosso direito a amar, mais nos julgam como àqueles outros que mal sabem sobre Eros. O inusitado é amigo daqueles que mal sabem ler o bem. O mal tem seu significado quando muitos padecem involuntariamente e sofrem como uma ovelha ao matadouro. Não sei o significado de minhas lutas. Não sei o significado de minhas lágrimas mortíferas. Vou lutando e vou chorando as marcas de uma vida que só me pede a morte. E... O que devo fazer? Como devo agir as pressões de uma vida toda, voltada para o sofrer? Tantos encontros, tantas voltas ao mundo e nada. Nada que me faça acreditar, nada que me faça voltar ao passado novamente. Somos vistos como delinquente e mal amado. Somos vistos como algozes de nossas próprias dores. Não consigo entender! Como se faz presente o meu estado de mortíferas flores do mal!
     Quero escrever sobre meu mal, sobre meu clamor, sobre meu amor... Não consigo me esquivar de nada que me atinge. É como se eu tivesse mesmo que passar por tudo isso sem me ater a nenhuma flecha inimiga. Não quero acreditar que meu mal, foi ter amado. Mas, tudo me mostra acreditar que foi isso mesmo: amei demais e fui ao inferno. Olho a minha volta e só vejo cinzas dos cadáveres deixados da última guerra. Só vejo a névoa cinzenta poluindo o ar azulado. Quantos morreram ali por amor? Quantos padeceram por um motivo o qual, não fazia sentido algum estar naquele instante? Quantos mais de milhares, sucumbiram às armas, sem ao menos saber o porquê estavam lutando? Eu, porém, sei e o porquê continuo a lutar... Tudo é tão assustador. Tudo é tão infernal. Quero acreditar que, meu mundo, mesmo estando do jeito que está não será o meu fim nem o do próprio mundo. Quero crer que ainda, haverá uma chance, uma pequena chance, pra aqueles que ainda esperam por amor. Aquele amor que, quando chega à porta, não quer mais parar de bater até que lhe seja aberta. Eu acredito neste amor. Eu acredito neste sonho. Eu acredito nesta ilusão realista. Enfim, acredito em mim e no fim de meu martírio – embora, me seja mais doloroso acreditar, do que esperar.

Eis aí o fim...



 Essas reflexões foram um labor sobre sua estada aqui enquanto um ser pensante. Foram muitos questionamentos sobre Deus, sobre o amor, sobre o futuro. Sem fazer comparação - porque é incomparável - com a obra de Goethe, falo que se parece em termos de gênero, com Os Sofrimentos do Jovem Werther

É um romantismo pesado, dolorido, mas de um profundo amadurecimento para a alma humana.

CAMINHANDO TRISTE


     Caminhando vai a minha vida assim, pesada com os meus tristes pensamentos sobre meu sentido hoje de viver alegremente. Perdi aquela alegria que me fazia buscar novas coisas, novos pensamentos. Novos poemas. Novos horizontes. Só não perdi a fé.
     Vou assim, caminhando triste, vendo as pessoas ficarem felizes com minha falsa alegria, com meu sorriso amarelo com meu jeito tão simples de ser.
     Vou indo sim, com todos e sem ninguém. Vou comigo e sozinho vou, para onde não sei. Para bem longe dos outros. Para bem longe da alegria deles, a fim de não machucá-los.
     Vou indo tão assim, como sempre fui e vou sem querer, mesmo querendo ficar. A loucura se faz presente nesse sentimento que me fiz perder minha vida nele. Como acreditar no amor? Será que amei para nada? Estou perdendo as esperanças no amor, embora queira amar ainda.
     Caminhando triste, vou sempre calado. Sempre sozinho e sem um fim a minha frente. Nostalgia profunda a que sinto. Nostalgia de morte. De dores adversas. De dores que me atravessa a alma. A calma. A minha paz. E me torno um outro homem.
     Vou caminhando triste. Muito triste, Com muito pesar. Sofro por amor! Pela decepção. Pela dor que sufoca e me deseja no inferno de meu fim. Vou com um peso que não consigo dividir. E nem quero. É muito pesado para ser dividido com alguém. Quero ir sozinho, se padecer, padecerei só e não trarei ninguém pra junto de mim aonde quer que eu vá. Como posso ver o céu assim?
     Vou indo sem minhas forças. Estou só. Sem um arco. Sem uma flecha. Sem meu manto. Sem meu cobertor. Será que conseguirei? Então ainda, falo na possibilidade – e isso é uma peculiaridade de quem ainda tem esperança. Será que verei o fim das coisas que me machucam? Só sei que sofro como um maluco sonhador. E não aguento mais viver assim. A comédia perdeu o sentido pra mim. A tragédia deu lugar à primazia em meu coração. Estou (sou) de fato, shakespeariano.
     Vou indo com todos os males deste mundo. A maldade em todos os cantos do mundo. As esquinas estão vermelhas de sangue inocente. Meu sangue foi feito de tatuagem nos muros do meu coração.
     Vou indo sem ninguém e com todo mundo. Vou indo com meu coração e sem ele. Vou indo comigo mesmo e sem mim. O vazio é minha tese. O nada meu álibi: sobrevirei e chegarei a doutor?
     Hoje, estou um nada que coexiste dentro de um vazio. Esse vazio é a minha existência. A minha existência um acaso. O acaso um desastre. O desastre a grande explosão: perdi-me na história da criação. Que hilário!
     Vou indo sem minha alma. Há muito que ela perdeu-se nos meus momentos de sanidade: fiquei maluco e saí de órbita. Hoje, não sei como seguir além de estar preso ainda a este sentimento que hoje, está me matando. E novamente vos falo: Não quero morrer! Mas... Não sei como me sair deste caminho tortuoso e que só quer ver meu mal. O fim das coisas está chegando. Não sei como virá. Se pra mim ou para meus lamentos.


          É um livro onde a alma escancarada, revela os segredos mais intrínseco do ser. revela sua maior fragilidade, seu maior medo, seu maior defeito, seu maior desgosto... Mas ao final é um livro que mostra o quanto devemos nos aproximar de Deus mesmo exposto aos insucessos mais funesto. É onde devemos reconhecer o outro em seu maior e mais lúgubre erro e ainda sim perdoá-lo.

          Não se atenham apenas na dor que as reflexões transmitem, mas na capacidade com que do mesmo abismo que Joh Goeth saiu, todos nós também podemos superá-lo.


Marzo Deutsch.

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